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Intensa programação para os 80 anos de Santa Rosa

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09/02/2011 10:51

As comemorações dos 80 anos de Santa Rosa começam no  domingo (27). O primeiro ato que irá marcar o aniversário do município será realizado na Praça da Independência, com a revitalização do local.

A Prefeitura, através da Secretaria de Cultura e Turismo, em conjunto com as Secretarias de Planejamento, Meio Ambiente e Obras estão trabalhando na organização. O evento começa a partir das 16h. Duas ruas serão fechadas para que a comunidade possa levar cadeiras e chimarrão para a mateada. As crianças poderão se divertir com os brinquedos do SESC. Também será realizada uma apresentação da Orquestra Heróis da Fé. A programação oficial também contará com apresentação da Banda do Exército, benção das igrejas e homenagens. As Etnias terão participação especial. Toda a comunidade está convidada a participar.

Esta praça faz parte da história de Santa Rosa, pois foi inaugurada em setembro de 1922, antes mesmo, da emancipação do município. Agora, com recurso próprio da Prefeitura, ela foi remodelada, com um investimento de R$ 380 mil. O Prefeito Orlando Desconsi destacou que esse é um antigo desejo da comunidade, “Essa praça faz parte da história de Santa Rosa e não podia ficar esquecida e nem abandonada. Agora ela está remodelada e será um local para que as pessoas possam desfrutar com tranqüilidade de lazer”.


MEMÓRIAS DA SEDE ‘14 “DE JULHO”
PRAÇA DA INDEPENDÊNCIA EM 1922 –
Teresa Christensen-Diretora Municipal de  Cultura.

As comemorações dos 80 anos de emancipação política e administrativa de Santa Rosa (1931-2011) já começaram. Nelas, estão incluídas uma série de reformas  e melhorias em pontos importantes da nossa cidade, como a Praça da Independência, marco simbólico da nossa história a ser reinaugurada no próximo mês de fevereiro, além da revitalização de diversos espaços que compõe nosso patrimônio histórico.

Na Administração do Prefeito Orlando Desconsi , esses locais ocupam um lugar de destaque  nas melhorias previstas para o ano de 2011 e diversas Secretarias  participam ativamente do movimento de valorização da nossa  herança histórico-cultural, porque a ela cabe a decisão de priorizar o que deve ser conservado na octogenária Santa Rosa. Este é o caminho para recuperarmos as lembranças dos acontecimentos anteriores, distinguirmos o ontem e confirmarmos que possuímos um passado. Saber quem fomos, confirma o que somos.

Para o Prefeito Desconsi,  “As praças são espaços de reunião, construídos para e pela sociedade, imbuídas de significados, marcos centrais da construção de caminhos, ponto de chegada e de  partida. É um palco representativo da dimensão  histórica da cidade, além de abrigar o comercio formal e informal, feiras , manifestações culturais e políticas. Enfim, as praças são locais de convívio por excelência.O cuidado e a preservação destes logradouros públicos  é primordial, pois  estes lugares têm importância vital para a dinâmica das cidades.”

Quando falamos da Praça da Independência, completando este ano 89 anos de existência, primeira lembrança nos remete ao traçado das  primitivas trilhas abertas pelos pés dos caminhantes na Sede 14 de Julho. Depois, a enxada e mais tarde, a picada aberta na mata. Essas vias de circulação eram  rodeadas por pequenos ranchos ocupados por caboclos, madeireiros, posseiros e intrusos. Índios Kaingang e Guaraní, remanescentes dos grandes embates entre índios e brancos ocorridos na região norte e noroeste do Rio Grande do Sul, ainda habitavam esse lugar ancestral.   O povoado era a sede do 6º Distrito de Santo Ângelo, e ficava próxima a estrada que dava acesso à sede daquele município, o que significava a única via de contato com a “civilização”. Este foi o local escolhido para a instalação do acampamento que daria inicio a medição das terras da Colônia Santa Rosa. Lançadas as estacas, os piquetes demarcadores das ruas, das quadras e dos lotes urbanos, começava a ocupação do espaço à  ser colonizado.

As construções iniciais localizavam-se entre os arroios Pessegueiro e Pessegueirinho de águas cristalinas, protegidas por matas de pessegueiros silvestres, origem do nome desses cursos d’água, que durante muito tempo proveram a população com abundância de  peixes, além de  uma grande variedade de frutos  nativos oferecidos pela mãe natureza. Nas margens desses rios, homens e mulheres foram desenhando seus  destinos.

O lugar era aprazível e situava-se numa altitude média de 275 metros que o deixava mais perto do céu!  As primeiras casas  foram sendo construídas para o Chefe da Comissão de Terras, o Engenheiro João de Abreu Dahne e para os seus auxiliares, Antonio Lunardi, Theodoro Winckelmann e Manoel Ferreira de Araujo, logo foram surgindo outras construções, todas de madeira. Veio a Igreja Católica e o primeiro Vigário Padre Hermenegildo Gambetti, cujo comportamento rude não agradava aos fieis Vieram os comerciantes, os artesãos e colonos das mais diversas etnias e credos religiosos. A primeira escola oficial, criada por Decreto do Governo do Estado em 1921. Era o Grupo Escolar da Sede. A povoação se enfeitou com focos de luz com a energia elétrica fornecida por José Pittas e posteriormente, por Vergílio Lunardi. Daí em diante todos os melhoramentos foram acontecendo. O cinema, de propriedade do alemão Henrique Knack, ficava numa esquina da praça e oferecia sessões duas vezes por semana, sempre com a casa cheia.  Funcionava num galpão rústico de madeira com paredes simples que nunca foram caiadas. A iluminação do salão era feita por dois lampiões de querosene. Ao fundo, ficava a tela, um tecido branco estirado sobre um quadro de madeira pregado com tachinhas, sem o menor acabamento. A sua frente, assentava-se um gaiteiro, que segundo Knack, era melhor do que uma orquestra. Os assistentes levavam as suas cadeiras e quando o espetáculo ia começar Knack, ele próprio o operador, gritava lá dos fundos para o seu ajudante: “Apaga o kriozem”! (“querosene) “O gaiteiro atacava logo de” Saudade do Matão” e o filme começavam para o deleite dos espectadores. A Sociedade Lyrica Concórdia, um enorme galpão de madeira, era também local de grandes festividades, de grupos de cantores e jogadores de bolão. Quando as primeiras ruas foram abertas tiveram o cuidado de arborizá-las com plátanos e cinamomos. Construções simples foram se alinhando e por toda parte viam-se casas que aos poucos foram ocupando o espaço de aproximadamente 100 hectares. No ano de 1922, no povoado ‘14 de Julho’, estavam demarcados e vendidos 593 lotes, 169 casas construídas e a população era de 950 habitantes.

Em torno da Comissão de Terras, concentrava-se a vida econômica, política e cultural da vila.   No centro da quadra localizavam-se o chalé de madeira da Comissão de Terras, sob o comando do Engenheiro João de Abreu Dahne, a subdelegacia de polícia  e a subintendência do 6º Distrito;  nas proximidades ficava também  a casa de Carlos Kruel, agrimensor e sogro  do Dr.  João Dahne. Na  outra esquina existia um galpão de madeira onde funcionava a oficina de carpintaria e marcenaria de José Pittas, excelente construtor de casas;   para servir aos moradores  tinha um bazar de propriedade de Carlos Guimarães, escriturário da Comissão de Terras; na outra esquina  estava a casa comercial de Apolônio Zorzan;  no meio da quadra  o Hotel Central de  Emilio Graffunder onde eram acolhidos generosamente ao que aqui chegavam em busca de terra  boa e fértil  e o Hotel Joner, de Nicolau  Luiz Joner,  um prédio de madeira de dois andares, com ótima acolhida aos viajantes . Ali também se localizava a casa comercial de Edmundo Pilz e a farmácia  do holandês Adriano Kreuning, médico, farmacêutico e fotografo. Na direção sul, mais tarde na Rua Sinval Saldanha, foram  construídas quatro residências de boa aparência e construção sólida onde moravam José Mathias Roesler, o dentista da localidade;  Otávio Borges Fortes de Oliveira, coletor de rendas estaduais; o médico  Bonifácio Silva , um mato-grossense que vivera  muito tempo em Porto Alegre , além de bom músico era também cunhado do Dr. João Dahne. A barbearia do Ruschel era o ponto de encontro, onde as novidades e conversas eram postas em dia, além da  compra e venda de bilhetes de loteria e jogo do bicho.  No Escritório da Comissão de Terras, funcionava o serviço de distribuição das correspondências, cuja mala postal era fechada  em Santo Ângelo, ponto final da estrada de ferro. O estafeta, nessa época, era o Pedro Flores e o Henrique Knack. O transporte era feito num velho caminhão Ford 1917, que a duras penas vencia o trajeto. Além das correspondências, vinham os jornais ansiosamente esperados. Figuras proeminentes na sociedade eram os irmãos Vicente e Altamiro Cardoso, agrimensores e, muito cultos, prestavam inestimáveis serviços a comunidade. Clube de Futebol e também carnavalesco, o” Uruguai “colocou na rua vários  carros alegóricos, além  promover bailes a fantasia com muito luxo e bom gosto. O Rei Momo,  a Rainha,  confetes e serpentinas  ajudavam a criar  o clima carnavalesco na pequena vila,tudo realizado sob a organização do Dr. Vicente Cardoso, muito criativo e apaixonado por carnaval.

Numa tarde muito fria do inverno de 1922 foi inaugurada na sede 14 de Julho a Praça da Independência em comemoração ao centenário a nossa independência de Portugal em1822, com uma grande festa   e a presença do povo,  das autoridades locais e do município de Santo Ângelo. Num grande espaço aberto, bem arborizado, com bancos de madeira, foi colocado numa coluna, o busto de José Bonifácio de Andrada e Silva, o “Patriarca da Independência”. Desde então, lá está ele do alto de seu pedestal, olhando os caminhantes que passam apressados sem ao menos levantar os olhos para a aquela imagem, ao que parece, condenada a exposição eterna, a distração dos transeuntes e ao suplicio da indiferença imposta aos glorificados. 

Neste mesmo ano e neste mesmo dia, em quase todas as cidades ou vilas brasileiras, José Bonifácio teve a sua figura homenageada em pedra e bronze. Pretendia-se assim, com a edificação de estátuas e monumentos construir a “memória da nação”, onde eram selecionados fatos históricos ou personagens dignos de registro para a posteridade, como instrumento de legitimação do estado nacional e a promoção de uma consciência cívica da população que deveria se inspirar no exemplo patriótico dos “heróis nacionais”.

Assim, a nossa primeira praça, passou a ser o lugar de ver e de ser visto, de passear, de conversar, de namorar e de fazer política. Vinte anos depois, os relatos dos antigos moradores nos dão conta de que a praça era bastante tranqüila, bem arborizada porem, os seus bancos estavam todos desmazelados. Não havia por parte do Poder Público muita preocupação em mantê-la bem cuidada. Nela, foi instalado um pequeno observatório meteorológico onde uma funcionária verificava todos os dias os caprichos atmosféricos.

Já bastante deteriorada em 1967,  na gestão do Prefeito Arno Pilz, a praça passou por uma grande reforma. Modernizou-se. Ficou novinha em folha!

Em 14 de dezembro de 1975, foi inaugurado um pedestal com uma placa de bronze em homenagem a Bíblia Sagrada, iniciativa liderada pelas Igrejas Evangélicas  e em 1979, novo monumento foi erigido em homenagem ao jornalismo impresso com os dizeres: JORNAL É CULTURA – ADJORI.

Após 44  anos  da última reforma, não foi feito nenhum grande melhoramento e a velha praça, pela ação do tempo e de vândalos, estava quase arruinada. Ao invés de ser um espaço de lazer,  de cultura e um atrativo  turístico, tornara-se refúgio para todo tipo de práticas ilícitas. Enfim, neste ano da graça de 2011, a Praça da Independência, restaurada, melhorada, embelezada e iluminada, vai ser entregue  pelo Prefeito Municipal  Orlando Desconsi,  pronta para ser desfrutada pela comunidade santa- rosense. Aquele  lugar histórico volta a ocupar o lugar que merece, destacando  e valorizando  pontos de referência  da nossa história como a ACISAP,  o Colégio Santa Rosa de Lima,  a Comissão de Terras e Colonização, as casas de comércio localizadas  em torno da praça, enfim, onde tudo começou.

Para os santa-rosenses, esse  espaço conhecido como Cidade Baixa onde está localizada a Praça da Independência é impregnado de significações acumuladas através do tempo. É um ponto de referência para os antigos habitantes nos relatos das suas memórias, um recorte preciso com contornos apreensíveis, capaz de orientar o conhecimento ou o reconhecimento dos que por ela passaram, ou moraram nas suas imediações.

Vamos lembrar que as praças existem há milênios sempre foram usadas por civilizações de distintas maneiras, porém, nunca deixaram de exercer a sua mais importante função: a de integração e sociabilidade.

Afinal, tanto em tempos remotos quanto na atualidade, fica claro que as praças desempenham importante papel no espaço democrático, de uso comum, palco de participação política, da realização de grandes comícios e locais de convívio e lazer de toda comunidade. Então, conhecer a importância e os usos destas áreas é essencial para a valorização e preservação das praças públicas, especialmente numa época em que a preocupação global volta-se para o meio ambiente, a sustentabilidade e a qualidade de vida da população.

LONGA VIDA À PRAÇA DA INDEPENDÊNCIA!




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